parecem apenas expressões, mas na verdade são dois conceitos que se complementam e são fundamentais quando falamos de comunidades de inovação.
o give first defende a ideia de dar sem esperar nada em troca. já o give back fala sobre devolver ou retribuir. o famoso “gentileza gera gentileza”.
esse segundo conceito, pode parecer contraintuitivo no mundo dos negócios, mas tem sido muito utilizado no vale do silício e tem contribuído para empresas de inovação continuarem crescendo.
no livro, silicon valley: a way through, Felipe Lamounier, sócio e líder do escritório da StartSe, estuda as empresas que estão ancoradas no vale.
a ideia do autor é entender os princípios que elas aplicavam no dia a dia da gestão das empresas. ele identificou e estudou dez.
entre eles o give back, que defende a seguinte premissa:
uma empresa só existe a partir do que a sociedade provém pra ela
independente do que seja vendido: um produto, um serviço ou commodity, ele é vendido para alguém, que integra a sociedade.
corroborando com isso, temos a economia que é como uma roda e para existir precisa estar girando. então:
alguém vende > outra pessoa compra > o dinheiro é utilizado para outra compra > e assim por diante.
um exemplo prático é: se eu sou um agricultor e lá na primeira instância eu produzo verduras e legumes, quando eu vender esses itens, eu vou prover dinheiro para mim e com esse dinheiro, eu vou comprar um carro e assim contribuir para o funcionamento do comércio.
ou seja, a sociedade funciona em conjunto
então, para conseguirmos utilizar do give back ou do give first é preciso mudar de mentalidade e deixar de lado a realidade de esforço e recompensa que normalmente rege tudo que fazemos.
como quando nos permitimos pedir comida fora, após um dia longo e estressante.
falando em pedir comida, existe um APP conhecido por muitos de nós que tem apostado na ideia de give back. o ifood tem criado hortas urbanas de alimentos orgânicos junto da ONG Cidade Sem Fome.
o objetivo do projeto é promover o cultivo de alimentos orgânicos nas cidades, além da prática de agricultura sustentável que tem um duplo benefício: consumo local e geração de renda.
dessa forma, a empresa devolve para a sociedade um pouco daquilo que ela recebeu. afinal, não fosse pelas pessoas que consomem o produto, as empresas não chegariam tão longe.
ou seja, no give back, o questionamento é: o que você, enquanto empresário, pode devolver para a sociedade que contribuiu para gerar a riqueza que você possui hoje?
mas Lamounier em silicon valley, vai além: ele instiga as empresas a contribuir com a sociedade antes mesmo que deem certo e arrecadem grandes fortunas.
o que você pode fazer pelo mundo?
o meu exemplo particular é o Innovation Club, em Lajeado.
não é um evento que proporcione lucro, pelo contrário, os gastos com o evento são bem altos. mas não desistimos de fazê-lo, porque entendemos que o que fizemos até hoje com a Paes.Digital, como empresa, partiu muito da ideia de estar nos lugares certos com as pessoas certas.
criando conexões.
e queríamos devolver isso para sociedade. e a gente não queria esperar ter tempo, ou estar lucrando mais como empresa para fazer isso.
por isso nós decidimos dar a nossa contribuição antes.
o give first fala sobre isso
e por isso este conceito complementa o give back. ele parte da ideia de que antes de recebermos alguma coisa, precisamos doar.
no livro nocaute: como contar sua história no disputado ringue das redes sociais, o escritor Garry Vaynerchuk defende essa ideia. na obra, que faz uma analogia entre o marketing tradicional e uma luta de boxe unilateral, Vaynerchuk fala que precisamos disparar todos os “jabs”, comparando esses socos aos conteúdos gratuitos que as empresas devem oferecer aos públicos nas redes sociais.
mas isso deve ser feito com intensidade. porque assim, quando os conteúdos forem cobrados, você será retribuído. as pessoas vão querer comprar de você.
é uma relação de reciprocidade.
no bussiness, fora do âmbito da produção de conteúdo, o give first, serve para gerar uma reflexão: o que tu pode fazer pelas pessoas antes de querer que elas façam algo por ti?
um dos exemplos mais marcantes de give first é a TechStars.
a empresa fez do conceito um dos seus valores mais importantes e agora organiza encontros repletos de mentores com único intuito de fazer novas startups prosperarem.
os encontros acontecem por todo mundo e a empresa não pede equity, participação nos lucros, direitos ou nada do tipo. afinal, o give first busca mostrar a importância de não construirmos relações com base em interesses.
por isso, meu conselho é para não construir conexões com segundas intenções. seja verdadeiro, seja transparente e de fato, dê algo a alguém antes de querer algo de volta.
o universo nos provê, precisamos prover algo de volta. mas antes de querer que o universo me dê algo, o que eu posso fazer por ele?
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